sexta-feira, 18 de junho de 2010

Servir não é tarefa fácil

Servir não é tarefa fácil, até porque o que acreditamos ser bom para o outro pode não ser exatamente o que outro precisa.


Na obra de Deus, quando falta aplicação da bíblia na escolha da pessoa para o trabalho da igreja e seus seguimentos, é o nascedouro de complicação, que afetará até o relacionamento pessoal, pois muitos discutem pessoas e não idéias. Não podemos deixar de salientar que aparência é o contrário da essência.

“No Pentateuco, Jetro instrui: ”escolha entre vós homens capazes, tementes a Deus, dignos de confiança, e inimigos de ganhos desonestos... eles estarão sempre á disposição do povo... trarão a você a penas questões difíceis”.(Ex. 18.17-27). Essas qualidades existem em pessoas vazias de si mesma e cheias de Deus, que jamais afrontam as autoridades, pois têm ciência do vaticinado por Paulo em Romanos 13.1-5.

Devemos considerar o cumprimento do dever como um serviço prestado á humanidade. É a partir do compromisso individual com a virtude que forma-se a consciência coletiva. Saiba-se que a cada virtude se opõe um pecado. Assim, a generosidade é oposta à avareza, a paciência à ira, a diligência à preguiça, a humildade à arrogância, a verdade à mentira, a justiça à vindita.

Quando agimos dentro da coletividade há uma natural expectativa de reconhecimento. Se ele não vem da forma como se espera, gera no outro a pecha da ingratidão e, em quem se sente injustiçado, o ressentimento que destila revolta, amargura, vontade de revide. Mesmo que adormecida, a qualquer momento acorda, cegando a ponto de conduzir ao desconforto, muitas vezes ao suicídio moral, ao cúmulo de deixar a coletividade da grei.

Assim, o coração amargurado é incapaz de reconhecer que atos administrativos não têm haver com amizade ou coleguismo, pois o líder indica a direção e verifica a rota, transmite a missão e o significado da tarefa e das ações, tentando assim, harmonizar o equilíbrio e o desenvolvimento. Precisa fazer o plano sair do papel, caso contrário, atitudes rápidas devem ser tomadas, muitas vezes doloridas: quem demitiu e quem foi demitido – até porque, não se cura resfriado cortando o nariz, nem se elimina uma febre quebrando o termômetro, ou elimina catapora com esparadrapo.

As virtudes cardeais humanas são: a sabedoria, a fortaleza, a temperança e a justiça. Perdendo-as, nascem as mazelas e os laços afetivos se dilaceram. Então, distorce-se a verdade ao cântico da sereia de plantão, ficando à mercê dos murmúrios que tornam os incautos em presas fáceis do demônio.

Não podendo sentir o que o outro sente, ou se estabelecer um parâmetro de comparação da dor alheia causada pelas palavras rudes e pelas mágoas, precisa-se saber receber os sofrimentos como oportunidade aperfeiçoamento, mesmo que esses sofrimentos doam por dentro. Deve-se manter rumo certo, acima da mágoa, ranço, perseguição, injúria, ressentimentos e espírito de vingança.

Está em voga a expressão resiliência (qualidade pessoal –atributo da personalidade). Resiliente são aqueles capazes de vencer as dificuldades, os obstáculos, serem flexíveis, de suportarem pressão e impactos por mais fortes e dramáticos que eles sejam e não se desequilibram psíquica, social, cultural e espiritualmente. O ser humano normal, a despeito de sua natureza animal, é dotado de um turbilhão de sentimentos que podem ser transformados em virtudes se tratados com disciplina.

O coração convertido em Cristo é como uma vassoura que põe fora o sarilho, que tira qualquer possibilidade destes venenos nos contaminarem a mente e cometer a impostura de atacar alguém com palavras ditas ou escritas.

Sabemos que somos plantadores da melhor semente dessa terra (Mc. 16.15-16). Mesmo que impeça-nos de colher os frutos, já estamos dentro deles em Cristo Jesus (Sl. 126.6). Precisamos aprender perder com classe e vencer com ousadia. Saber que o direito de discordar é uma decorrência da liberdade inerente a todo ser humano. Todavia, torna-se abusivo discordar quando se age contra a verdade, contra valores da moral, da ética e contra a dignidade humana. O filósofo e escritor Alceu Amoroso expressou que discordar decorre da liberdade, porém é oportuno lembrar que toda liberdade tem um limite que se chama respeito.

Muitas vezes, é salutar que o discordar seja acompanhado pelo sentimento da indignação, porém, temos que pensar no que vamos falar ou escrever. Eu também discordo de quem só pensa em discordar, de quem é sempre do contra, que ouve somente um lado e já sai com comentários maldosos, que fere um cidadão, uma diretoria, um departamento, uma liderança que por erros alheios teve que tomar posição que a função determina.

Concluindo essa ínfima, pálida, acanhada, humilde e instrutiva crônica, cito o vaticinado pelo missivista Paulo em Filipenses 4.8; “Finalmente, irmãos, tudo que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo que é justo tudo que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é boa fama...que seja isso que ocupe nossa mente”. Sola File. Sola Gratia. Sola Scriptura.

Pr. Wellington Coelho de Sousa
Teólogo, Advogado, Filósofo
3° Vice-presidente da CBN, Professor no SETEBAN-GO
Pastor da Igreja Batista Nacional Nova-Salém – Goiânia-GO

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